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A doutrina da guerra preventiva
A chamada doutrina da guerra preventiva veio à tona no inicio da presente década com a
declarada guerra ao Iraque, este ensaio visa porem, não somente analisar o exemplo da recente
guerra iraquiana, mas também entender a doutrina da guerra preventiva alem de buscar suas
origens e outras passagens ao longo dos conflitos humanos com enfoque nos novos conflitos da
humanidade.
“o sentimento de insegurança de uma nação aumenta em razão direta do seu
poderio”
Deutsch, Karl. Análise das Relações Internacionais.
No cenário internacional contemporâneo, sobretudo exemplificando-se pela guerra do Iraque,
a doutrina de guerra preventiva não foi bem aceita, tendo sido executada toda baseada na
soberania norte americana, a qual os demais estados (do centro ou da chamada periferia
internacional) não puderam interferir. Deutsch mostra-nos que uma nação, ao ampliar o seu
poder amplia também seus interesses de maneira que estes não ficam contidos exclusivamente no
cenário interno do país. Com interesses muito ambiciosos uma nação poderosa terá seus
interesses refletidos no cenário internacional e em outras sociedades. Estas sociedades sentirão
desta maneira desconfiança da grande potencia em questão uma vez que seus interesses
nacionais estarão agora incertos no contexto internacional.
A insegurança de uma grande potencia se da exatamente por suas ambições grandiosas
acabarem refletidas em muitas nações gerando medo de que estas ambições sejam ameaçadas por
outros estados. Desta maneira temos então, uma tensão que acaba por ser mediada e administrada
pelas percepções dos governantes responsáveis das intenções dos demais estados com relação à
distribuição do poder internacionalmente.
Assim, utilizando-se de sua soberania, determinado estado no sistema internacional, tem
condições para utilizar-se da forca a fim de garantir seu bem estar uma vez que o mesmo
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desconhece as intenções de outro estado considerado por este uma ameaça aos seus interesses e
bem estar.
Montesquieu, e Clausewitz classificam as guerras como “defensivas” ou “ofensivas”.
As chamadas guerras defensivas têm como principio a conservação, já as guerras ofensivas a
conquista. No entanto fica claro que por vezes esta classificação binária não pode ser aplicada a
risca no sistema internacional uma vez que, assim como no exemplo claro da guerra preventiva,
um ataque pode representar uma ação de conservação antes de representar uma ação de
conquista. Assim como uma guerra defensiva pode ter características de ataque. Montesquieu vê
a guerra preventiva como justa para a conservação de um estado e da atenção as menores
potencias, que segundo ele estariam mais suscetíveis a iniciarem conflitos preventivos
justamente por sentirem-se ameaçadas com maior facilidade.
“Segue-se daí que as pequenas sociedades têm, com maior freqüência, o direito de
promover guerras do que os grandes, porque elas se encontram, em maior número de vezes, nos
casos de temer a sua própria destruição.”
Montesquieu
No entanto, temos analisado as ações norte americanas no cenário internacional e vemos que o
mesmo se utiliza da doutrina da guerra preventiva como temos no caso do Iraque.
Caso Iraque:
“A defesa dos Estados Unidos requer a prevenção, a autodefesa e, às vezes, a iniciativa da
ação. Defender-se contra o terrorismo e outras ameaças emergentes do século XXI pode muito
bem exigir que se leve a guerra para o campo do inimigo. Em certos casos, a única defesa
consiste numa boa ofensiva”.
Donald Rumsfeld,secretario de defesa norte americano em 2002
A chamada guerra do Iraque é tida como um momento de difusão da doutrina da guerra
preventiva. Com o discurso de combate ao terror e em busca de armas de destruição em massa, o
governo norte americano colocou em pauta no cenário internacional que uma ação preventiva era
necessária, mesmo que esta consistisse em uma ação ofensiva. Ainda hoje a guerra criada no
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Iraque remete a discussões que vão alem de armas de destruição em massa ou terrorismo, para
diversos autores fica claro o quanto os estados unidos da America utilizaram-se da doutrina de
guerra preventiva para defender interesses maiores, e não somente relativos à segurança nacional
e segundo o próprio EUA, global. Muitos autores não se esquecem do envolvimento da indústria
bélica e a influencia gerada pela mesma no decorrer da guerra no Iraque a qual movimentou
milhões de dólares tornando esta uma das novas guerras onde foram utilizados tecnologia,
equipamentos e mísseis mais caros como há tempos não se via. Não podemos esquecer ainda os
recursos naturais do subsolo iraquiano o qual contem atraente quantidade de petróleo,uma
riqueza muito buscada sobretudo pelo governo norte americano. Tais questões debatidas
relacionando-se com os reais motivos do conflito se mostraram relevantes uma vez que com o
desenvolver da guerra não foi colocado no cenário internacional provas convincentes a todos de
que o tal conflito deveria ser “legitimado”. O conflito no Iraque fez-se estabelecer um novo
sistema político no país, outro fator que não deve ser deixado de lado ao analisarmos tal conflito.
Apos derrubarem um governo ditatorial que durava mais de 24 anos e que teve seu inicio
marcado pelo apoio norte americano, sobretudo na questão da guerra entre Iraque e Irã, a
democratização do Iraque tem se mostrado um processo delicado com total influencia norte
americana mais uma vez.
As chamadas guerras preventivas, ou mesmo a doutrina da guerra preventiva, é tratada
com muita cautela no âmbito do direito internacional,para que a mesma possa se caracterizar
como “legitimada” são necessárias provas concretas as quais mostrem a real ameaça que um
determinado estado ou nação esta submetido,estas provas, como já citado acima, não apareceram
no caso da guerra no Iraque e ainda hoje se coloca em duvida as ações norte americanas,não
infringindo não entanto a soberania da nação mais poderosa do globo.
As ações norte americanas as quais acabam por difundir a doutrina de guerra preventiva
estão aparentes em estados influenciados pela industria bélica norte americana. Ações militares
com bases preventivas foram tomadas a exemplo norte americano pelo estado de Israel.
Observando cautelosamente os acordos de cooperação entre coréia do norte e síria o estado de
Israel alegou ter provas concretas de estar ameaçado por tal acordo o qual poderia acarretar em
armas de destruição em massa, juntamente com o fato de existirem grupos terroristas palestinos
em território sírio, levando assim Israel a intervir militarmente na síria.
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A maioria dos políticos e lideres militares que discutem a guerra preventiva, trazem a foco
uma questão de grande relevância, observa-se um discurso semelhante o qual enfoca no fato de
ao tornar uma guerra preventiva realidade, esta se antecipando um conflito, ou seja, é melhor
combater agora do que combater depois. Não devemos esquecer, no entanto, que nem todas as
guerras antecedidas por certa tensão se tornam guerras preventivas e que no outro lado da moeda
nem todas as prevenções reais de guerras fazem com que estas ocorram obrigatoriamente. Ao
analisarmos as guerras preventivas notamos que este é um conceito que anda por uma linha
tênue, uma vez que nem o direito internacional nem o cenário global regulam o que é de fato
considerado uma ameaça para que se caracterize uma guerra preventiva, esta incerteza se aplica
diretamente ao sentimento de segurança das nações e de seus respectivos interesses, fazendo
assim com que a doutrina da guerra preventiva venha a ser objeto de analise e estudo com
diversas “ramificações”. Em suma as guerras preventivas se mostram como as demais guerras
classificadas por Clausewitz como continuação da política por outros meios efetivamente, no
entanto com as suas devidas peculiaridades destacadas ao longo deste ensaio, a doutrina da
guerra preventiva esta altamente associada às estratégias tomadas pelo governo bush, sobretudo
no caso iraquiano já citado.
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Bibliografia:
Montesquieu. Do espírito das leis. São Paulo: Nova Cultural - Ediouro, 1987.
http://www.reservaer.com.br/est-militares/guerrapreventiva.html
http://www.geomundo.com.br/geografia-30123.htm
CLAUSEWITZ, C. von. Da Guerra. 2 ed., São Paulo, Martins Fontes, 2003.
http://srv-net.diariopopular.com.br/23_11_03/lc211150.html
CHOLLET, Derek and GOLDGEIR, James. America between the wars- From 11/09 to
9/11. New York: Public Affairs. 2008
http://diplo.uol.com.br/2002-09,a439
Deutsch, Karl Wolfgang. Análise das Relações Internacionais. Brasília. Editora UNB.
1980

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A doutrina da guerra preventiva A chamada doutrina da guerra preventiva veio à tona no inicio da presente década com a declarada guerra ao Iraque, este ensaio visa porem, não somente analisar o exemplo da recente guerra iraquiana, mas também entender a doutrina da guerra preventiva alem de buscar suas origens e outras passagens ao longo dos conflitos humanos com enfoque nos novos conflitos da humanidade. “o sentimento de insegurança de uma nação aumenta em razão direta do seu poderio” Deutsch, Karl. Análise das Relações Internacionais. No cenário internacional contemporâneo, sobretudo exemplificando-se pela guerra do Iraque, a doutrina de guerra preventiva não foi bem aceita, tendo sido executada toda baseada na soberania norte americana, a qual os demais estados (do centro ou da chamada periferia internacional) não puderam interferir. Deutsch mostra-nos que uma nação, ao ampliar o seu poder amplia também seus interesses de maneira que estes não ficam contidos exclusivamente no cenário interno do país. Com interesses muito ambiciosos uma nação poderosa terá seus interesses refletidos no cenário internacional e em outras sociedades. Estas sociedades sentirão desta maneira desconfiança da grande potencia em questão uma vez que seus interesses nacionais estarão agora incertos no contexto internacional. A insegurança de uma grande potencia se da exatamente por suas ambições grandiosas acabarem refletidas em muitas nações gerando medo de que estas ambições sejam ameaçadas por outros estados. Desta maneira temos então, uma tensão que acaba por ser mediada e administrada pelas percepções dos governantes responsáveis das intenções dos demais estados com relação à distribuição do poder internacionalmente. Assim, utilizando-se de sua soberania, determinado estado no sistema internacional, tem condições para utilizar-se da forca a fim de garantir seu bem estar uma vez que o mesmo desconhece as intenções de outro estado considerado por este uma ameaça aos seus interesses e bem estar. Montesquieu, e Clausewitz classificam as guerras como “defensivas” ou “ofensivas”. As chamadas guerras defensivas têm como principio a conservação, já as guerras ofensivas a conquista. No entanto fica claro que por vezes esta classificação binária não pode ser aplicada a risca no sistema internacional uma vez que, assim como no exemplo claro da guerra preventiva, um ataque pode representar uma ação de conservação antes de representar uma ação de conquista. Assim como uma guerra defensiva pode ter características de ataque. Montesquieu vê a guerra preventiva como justa para a conservação de um estado e da atenção as menores potencias, que segundo ele estariam mais suscetíveis a iniciarem conflitos preventivos justamente por sentirem-se ameaçadas com maior facilidade. “Segue-se daí que as pequenas sociedades têm, com maior freqüência, o direito de promover guerras do que os grandes, porque elas se encontram, em maior número de vezes, nos casos de temer a sua própria destruição.” Montesquieu No entanto, temos analisado as ações norte americanas no cenário internacional e vemos que o mesmo se utiliza da doutrina da guerra preventiva como temos no caso do Iraque. Caso Iraque: “A defesa dos Estados Unidos requer a prevenção, a autodefesa e, às vezes, a iniciativa da ação. Defender-se contra o terrorismo e outras ameaças emergentes do século XXI pode muito bem exigir que se leve a guerra para o campo do inimigo. Em certos casos, a única defesa consiste numa boa ofensiva”. Donald Rumsfeld,secretario de defesa norte americano em 2002 A chamada guerra do Iraque é tida como um momento de difusão da doutrina da guerra preventiva. Com o discurso de combate ao terror e em busca de armas de destruição em massa, o governo norte americano colocou em pauta no cenário internacional que uma ação preventiva era necessária, mesmo que esta consistisse em uma ação ofensiva. Ainda hoje a guerra criada no Iraque remete a discussões que vão alem de armas de destruição em massa ou terrorismo, para diversos autores fica claro o quanto os estados unidos da America utilizaram-se da doutrina de guerra preventiva para defender interesses maiores, e não somente relativos à segurança nacional e segundo o próprio EUA, global. Muitos autores não se esquecem do envolvimento da indústria bélica e a influencia gerada pela mesma no decorrer da guerra no Iraque a qual movimentou milhões de dólares tornando esta uma das novas guerras onde foram utilizados tecnologia, equipamentos e mísseis mais caros como há tempos não se via. Não podemos esquecer ainda os recursos naturais do subsolo iraquiano o qual contem atraente quantidade de petróleo,uma riqueza muito buscada sobretudo pelo governo norte americano. Tais questões debatidas relacionando-se com os reais motivos do conflito se mostraram relevantes uma vez que com o desenvolver da guerra não foi colocado no cenário internacional provas convincentes a todos de que o tal conflito deveria ser “legitimado”. O conflito no Iraque fez-se estabelecer um novo sistema político no país, outro fator que não deve ser deixado de lado ao analisarmos tal conflito. Apos derrubarem um governo ditatorial que durava mais de 24 anos e que teve seu inicio marcado pelo apoio norte americano, sobretudo na questão da guerra entre Iraque e Irã, a democratização do Iraque tem se mostrado um processo delicado com total influencia norte americana mais uma vez. As chamadas guerras preventivas, ou mesmo a doutrina da guerra preventiva, é tratada com muita cautela no âmbito do direito internacional,para que a mesma possa se caracterizar como “legitimada” são necessárias provas concretas as quais mostrem a real ameaça que um determinado estado ou nação esta submetido,estas provas, como já citado acima, não apareceram no caso da guerra no Iraque e ainda hoje se coloca em duvida as ações norte americanas,não infringindo não entanto a soberania da nação mais poderosa do globo. As ações norte americanas as quais acabam por difundir a doutrina de guerra preventiva estão aparentes em estados influenciados pela industria bélica norte americana. Ações militares com bases preventivas foram tomadas a exemplo norte americano pelo estado de Israel. Observando cautelosamente os acordos de cooperação entre coréia do norte e síria o estado de Israel alegou ter provas concretas de estar ameaçado por tal acordo o qual poderia acarretar em armas de destruição em massa, juntamente com o fato de existirem grupos terroristas palestinos em território sírio, levando assim Israel a intervir militarmente na síria. A maioria dos políticos e lideres militares que discutem a guerra preventiva, trazem a foco uma questão de grande relevância, observa-se um discurso semelhante o qual enfoca no fato de ao tornar uma guerra preventiva realidade, esta se antecipando um conflito, ou seja, é melhor combater agora do que combater depois. Não devemos esquecer, no entanto, que nem todas as guerras antecedidas por certa tensão se tornam guerras preventivas e que no outro lado da moeda nem todas as prevenções reais de guerras fazem com que estas ocorram obrigatoriamente. Ao analisarmos as guerras preventivas notamos que este é um conceito que anda por uma linha tênue, uma vez que nem o direito internacional nem o cenário global regulam o que é de fato considerado uma ameaça para que se caracterize uma guerra preventiva, esta incerteza se aplica diretamente ao sentimento de segurança das nações e de seus respectivos interesses, fazendo assim com que a doutrina da guerra preventiva venha a ser objeto de analise e estudo com diversas “ramificações”. Em suma as guerras preventivas se mostram como as demais guerras classificadas por Clausewitz como continuação da política por outros meios efetivamente, no entanto com as suas devidas peculiaridades destacadas ao longo deste ensaio, a doutrina da guerra preventiva esta altamente associada às estratégias tomadas pelo governo bush, sobretudo no caso iraquiano já citado. Bibliografia: Montesquieu. Do espírito das leis. São Paulo: Nova Cultural - Ediouro, 1987. http://www.reservaer.com.br/est-militares/guerrapreventiva.html http://www.geomundo.com.br/geografia-30123.htm CLAUSEWITZ, C. von. Da Guerra. 2 ed., São Paulo, Martins Fontes, 2003. http://srv-net.diariopopular.com.br/23_11_03/lc211150.html CHOLLET, Derek and GOLDGEIR, James. America between the wars- From 11/09 to 9/11. New York: Public Affairs. 2008 http://diplo.uol.com.br/2002-09,a439 Deutsch, Karl Wolfgang. Análise das Relações Internacionais. Brasília. Editora UNB. 1980 Name: Description: ...
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